terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Educação e aprendizagem no século XXI: linhas emergentes e seus desafios.



            A linha de pensamento que se ocupa de explicar como se dar o processo de ensino e aprendizagem com o uso das TIC é a psicologia educacional, que vai tratar exatamente do modo de como cada sujeito vai se comportar com o advento dos meios tecnológicos, ou seja, vai analisar o que muda e o que permanece na utilização das TIC como ferramenta no âmbito educacional com um olhar voltado para o uso das tecnologias, mas também fazendo uma comparação com o método tradicional sem o uso das TIC. E assim poder identificar quais vem sendo as mudanças, se elas são estáticas ou se mudam, se são transferíveis e o que evolui em aspectos qualitativos.

Trata de se analisar o que muda (os discursos, as representações, as praticas, os processos os resultados etc.). E saber também de como acontecem essas mudanças e se elas têm características diferentes daquelas que ocorrem em situações e atividades educacionais nas quais as TIC não estão presentes.  (Coll e Monero, p. 34).

            Desde quando surgiu a internet para o que hoje conhecemos dela, houve muitos ajustes até chegar ao que atualmente se entende por internet, desse modo a web passou por vários processos de mudanças. Uma das principais foi a forma de acesso, com o aparecimento dos browser surge a possibilidade de uma maior interatividade e organização de arquivos e informações. A essa forma de perceber a internet damos o nome de web 1.0. O principal responsável pelo que hoje entendemos como browser ou navegador foi o Netscap, o precursor dos navegadores que conhecemos atualmente a exemplo: o Mozilla Firefox, o Internet explore, Google Chrome, etc.  

Web 1.0 ou fase ‘‘pontocom’’. Seu paralelismo com que poderíamos denominar de visão tradicional da educação e uma postura trasmissiva-ceceptiva do ensino e da aprendizagem são evidentes. Existe um administrador (o webmaster em um caso, o professor no outro) que é quem determina o que, quando e como dos conteúdos aos quais os usuários podem acessar (os internautas em um caso os alunos no outro); os usuários por sua vez se limitam a ler, seguir instruções e baixar arquivos de um lugar estático que se atualiza com determinada periodicidade.  (Coll e Monero, p. 35).
Com um crescente número de usuários utilizando a web, foi necessário que as empresas responsáveis ampliassem as suas capacidades e desenvolvessem ferramentas e recursos capazes de proporcionar aos internautas um melhor acesso às informações e também de torná-los como partes construtivas destas informações, dando origem a web 2.0, que tem como característica principal a interação e participação dos usuários na qual a internet deixa de ser um espaço em que o usuário apenas encontrava informações, mas tornando-o um contribuinte, disponibilizando e compartilhando informações.
Porém com toda a expansão da web 2.0, surgiu um grande questionamento: Como lidar com o excesso de informações inúteis e até mesmo erradas que nos rodeia? Para esse questionamento Tim Berners-Lee, 1994, cita que ele tem “um sonho no qual os computadores são capazes de analisar todos os dados da web – o conteúdo, os links, e as trocas entre pessoas e computadores.” Esse sonho não muito impossível, mas um pouco longe de ser real é o que chamam hoje em dia de web 3.0 ou web semântica. Ela seria capaz de organizar e utilizar de maneira inteligente toda a informação já disponível na internet de acordo com o perfil de cada usuário, mostrando apenas o essencial a fim de ajudá-lo com mais eficiência. A internet seria mais próxima a uma inteligência artificial. Embora ainda esteja em processo experimental a web 3.0 deixou de ser um sonho e tornou-se real e com usuários cada vez mais exigentes não tardará a sua implantação.
            Nesse contexto, o avanço tecnológico abre novas perspectivas no que diz respeito ao desenvolvimento escolar, pois com o surgimento de novas tecnologias o processo de ensino-aprendizagem, que poderá sofrer grandes mudanças. Isto indica que poderão surgir três cenários educacionais paralelos, porém independentes: O primeiro seria uma sala de aula cada vez mais virtualizada, onde se aproveitaria ao máximo os recursos pedagógicos oferecidos pela TIC com a finalidade de facilitar o aprendizado. O segundo cenário seria a expansão das salas de aula para outros ambientes como, por exemplo, bibliotecas, museus, entre outros no qual seria possível realizar atividades educacionais com o apoio das TIC. O terceiro cenário seria uma “mega escola” onde as novas tecnologias permitiriam o aprendizado em qualquer lugar e em qualquer situação.
Por muito tempo a escola era vista como a detentora de todo o conhecimento e sua função era transmiti-lo. O pedagogo por sua vez, atuava como transmissor de valores e formas culturais. Por essa razão, a escola formava o tipo ideal de cidadão que a sociedade necessitava. Os anos se passaram e as formas de saberes foram se modificando, a partir de então a escola perdeu a detenção desse conhecimento. A mudança ocorreu porque a escola já não era a única detentora do saber e já podia ser encontrado em outros lugares como o computador que pode dar acesso ao mundo com um simples click.
Todavia, quando se trata do amplo desenvolvimento das TIC, principalmente da internet, alguns desafios emergem do ponto de vista das finalidades da educação. Primeiramente, podemos observar que o papel da escola e do professor como produtores e transmissores de conhecimento têm sido questionados diante dos avanços alcançados pelas TIC. Nesse novo contexto, é inviável que as instituições educacionais continuem adotando uma postura tradicional, autoritária em suas relações com os alunos. Os meios de comunicação e sua grande capacidade de veicular informação em alta velocidade acabam por acentuar a inoperância da escola e dos professores, fato este que tem levado muitos a defenderem modelos educacionais cada vez mais virtualizados. No entanto, é preciso assegurar que a escola e o professor ainda exercem e continuaram exercendo uma função essencial para o progresso e desenvolvimento da sociedade, através da aquisição de conhecimento. Como destaca Pimenta (2009, p.22 e 23) para se chegar ao conhecimento “não basta apenas obter informações, mas é preciso, a partir delas, selecionar, refletir e contextualizar as mesmas”, no sentido de proporcionar a inserção social crítica e transformadora de crianças, adolescentes e jovens nessa sociedade tecnológica, multimídia e globalizada. Somente com o conhecimento poderá se chegar ao uso correto e benéfico dos avanços tecnológicos.
O fato é que a Sociedade da Informação estar alicerçada sobre o desenvolvimento acelerado das Tecnologias de Informação e Comunicação, que esse fenômeno desencadeou mudanças no modo de vida da sociedade, no seu modo produtivo, nas relações, na comunicação e consequentemente na maneira de se pensar e praticar o processo de ensino-aprendizagem. As TIC e a internet favoreceram o acesso à uma gama de informações em altíssima velocidade o que pode conferir dinamicidade ao processo educativo. Todavia, esse excesso de informações pode esconder perigos e trazer consequências negativas à aprendizagem dos alunos. Por essa razão, segundo Coll e Monerio (2010), os alunos devem ser formados como “buscadores estratégicos” de informação capazes de distinguir as informações verídicas das erronias e/ou mal intencionadas, neste contexto a atuação do professor como mediador é fundamental no tratamento da informação para que essa se torne de fato conhecimento.
Outro aspecto associado ao desenvolvimento das TIC são as chamadas “brechas digitais”. Em torno do acesso às TIC têm aparecido novos elementos de exclusão social o que vem a “naturalizar” na esfera virtual as mesmas desigualdades vivenciadas fora dela, assim as minorias são marginalizadas enquanto o benefício pleno das novas tecnologias é privilégio para poucos. Promover o acesso e o uso consciente das TIC é um desafio da atualidade. A escola como instituição de amplo alcance tem sua importância ratificada no papel de promover a aproximação dos diversos setores da sociedade com as TIC e a internet, uma vez que ambas podem contribuir para elevar a qualidade da educação quando utilizadas de modo intencional e planejado.

Por: Ana Karla, Elaine Oliveira, Erika Sayonara, Luciele de Carvalho, Rone Guedes e Vanessa Torres.
Orientadora: Prof.ª. Esp. Janeth Carvalho

Referencias:
COOL, Cessar, MONERO, Carles e colaboradores. Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010.
PIMENTA, Selma Garrido (org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. 7. Ed. São Paulo. Cortez, 2009.

GLOSSÁRIO
TIC – Tecnologia da informação e comunicação
Web - palavra inglesa que significa teia ou rede. O significado de web ganhou outro sentido com o aparecimento da internet. A web passou a designar a rede que conecta computadores por todo mundo, a World Wide Web (WWW). Web pode ser uma teia de aranha ou um tecido e também se utiliza para designar uma trama ou intriga.





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